sábado, 7 de abril de 2012

Delírios de uma mente insana

Às vezes fazemos loucuras tão grandes que seria impossível calcular o tamanho exato. A linha que separa o amor do ódio, a loucura da sanidade e a ilusão da realidade muitas vezes não pode ser vista, nem sentida.

O sim e o não apesar de palavras opostas muitas vezes se misturam, isso acontece quando se diz não querendo dizer sim ou diz sim querendo dizer não.

Pois foi exatamente o que aconteceu. O planejado para uma noite de outono era ficar encapsulada nos cobertores, assistindo a um filme ruim qualquer, mas sempre tem alguém que diz: 

- Vamos, vai ser legal. - E o pior é que sempre tem um tonto que cai nessa, dessa vez fui eu.

Essas coisas acontecem quando não percebemos qual dos lobos interiores estamos alimentando, se é o bom ou o mal e no fim acabamos descobrindo que matamos o bom de fome.

Antes de sair, fiz todo um roteiro do que aconteceria naquela noite. Não estava esperando me divertir, iria apenas chegar, beber e ir embora, nada além.

Afinal, porque mesmo eu estava indo?

A resposta a essa pergunta me foi dada algumas horas depois, era só a vida me pregando uma peça, e das boas.

Cheguei ao local de destino, tudo como imaginado, lugar esquisito com pessoas estranhas ou que fingiam ser estranhas. Fiquei lá em um cantinho, me sentindo uma Jedi no meio de Lords Siths.

Não. Aquelas coisas com certeza não eram Lords Siths. Voltando...

Lá estava eu como uma qualquer no meio de um bando de outros uns que também não eram nada.

Então começaram as bebidas. Bebidas, bebidas e mais bebidas depois, lá estava eu, conversando com seres que eu não gostava e que não gostavam de mim.

Mas o pior ainda estava por vir. Surgiu, parada na minha frente uma pessoa, alguém que eu conhecia, mas não tava nem aí, ou achava que não estava nem aí, alguém que eu tinha quase certeza que mal sabia meu nome. 

Foi então que meu lobo interior, não sei qual deles, pois os dois já estavam abraçados cantando “Garçom”, gritou:

- Eu quero beijar alguém!

Ora, beijasse o outro lobo que tava ali, mas não, esse grito se exteriorizou e alguém ouviu.

Sabe aquele cara que eu achava que não tava nem aí? Foi ele quem ouviu. Me olhou com seus lindos olhos de um jeito que eu nunca vou esquecer e respondeu:

- Eu beijo você!

E beijou. Foi como se eu tivesse sido teletransportada para esse estranho mundo onde me senti a própria “Sally”.  

Foi uma noite de insanidades, delírios, imagens distorcidas e lembranças claríssimas de absolutamente tudo. Fui levada para o círculo das seis existências, conheci o tesouro do céu, sobrevivi e voltei.

E quando voltei... Começou essa invasão intergaláctica dentro da minha cabeça, meu lobos estavam mortos, sofreram um coma alcoólico. Era uma verdadeira guerra interior, nada mais fazia sentido.

Por mais que eu tentasse colocar as coisas no lugar e voltar à sanidade, aquelas lembranças não queriam me abandonar. Por mais que eu tentasse me manter longe, essa pessoinha estava sempre rondando meus pensamentos, meus sonhos.

E quando dei por mim estava de volta naquele universo paralelo. Com ele, meu sol e estrelas. Estava afundada em sentimentos, pensamento lunáticos, obsessivos, um desejo suicida transformado em homicida, imagens e sonhos que estão sempre comigo.

E ainda estou aqui, com sentimentos tortos, sonhos que se transformam em pesadelos e pesadelos que viram sonhos.

Há quem diga que tudo aconteceu por culpa do destino, há quem diga que foi Deus, mas tenho certeza que Deus não tem nada a ver com isso, há até quem diga que eu já queria, mas tentava me enganar. Se eu fazia isso, estava fazendo muito bem.

O importante é que sim eu errei e não satisfeita fiz de novo, mas como já dizia o poeta: "Nunca cometa o mesmo erro duas vezes. A não ser que tenha sido bom." E foi, foi muito bom. 

Será que foi um erro? Ou foi um acerto mal interpretado?


Patricia Strogenski

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Perdas

Alessa estava chorando, ainda o amava muito, mas não suportava mais a dor de amar alguém que  não sentia o mesmo por ela e só a fazia sofrer. Sem saber o que fazer tentou falar  com  algum  amigo, alguma  pessoa  que talvez pudesse fazê-la sentir-se melhor, mas ninguém estava disponível. Ela estava só e com muita dor.

Toda a esperança que ela vinha alimentando foi esquecida, não se sentia mais feliz como há poucas horas, agora só existia a dor e um enorme abismo em sua frente. O que devia fazer? Fez-se essa mesma pergunta várias e várias vezes, mas não conseguia responder, não podia pensar, não queria ver que agora era pra sempre, não importava o que ele falasse ou fizesse, não suportaria passar por tudo de novo.

A única coisa que ela queria nesse momento era que a dor passasse, que tudo ficasse bem de novo, mas sabia que depois disso nunca mais seria a mesma pessoa, em poucos minutos passou de uma mulher que amava, que tinha sentimentos, para uma pessoa que não queria mais essa vida. Tentou parar de pensar nele e esquecer, mas o único sentimento que conseguia ter naquela hora era ódio, dele, de si mesma e principalmente da pessoa que o tirou dela.

Ela só queria que eles morressem naquele minuto, para que nunca mais ouvisse falar daquela mulher e para ser obrigada a esquecê-lo, pois sabia que não tinha forças para ficar longe dele, por mais que isso a machucasse. Mesmo assim estava decidida que não o queria mais, mas queria que ele sofresse, sofresse muito. Parou de chorar, escreveu um email para ele e resolveu sair desse mundo.

Ela parou de sofrer. Mas ele teve que viver com a culpa e a dúvida de que talvez se ele tivesse atendido o telefone naquele dia ela ainda estaria aqui. Foi só quando perdeu que ele deu o valor que ela tinha.

Patricia Strogenski

Metamorfose


Ela já o conhecia, só de vista, mas sabia que tinha algo diferente nele. Era lindo demais para um humano. Sua pele branca, seus cabelos negros encaracolados na altura dos ombros e seus olhos eram o que mais a fascinava, pois tinham um brilho diferente. Um dia resolveu segui-lo através de um beco, então teve certeza: ele, definitivamente, não era humano! Mas, com todos os problemas que tinha naquele momento, não se deu conta ou simplesmente não se importou com o que acabara de ver.
  
Um dia, após uma grande desilusão, resultado de um amor não correspondido, Alessa resolveu deixar esse mundo. Foi naquela noite que ela aproximou-se dele. Foi ao mesmo local onde sempre o via e esperou. Quando já estava desistindo de tudo, ele chegou e pela primeira vez eles conversaram. Ela contou o que tinha testemunhado no beco algumas noites atrás, para que ele não pudesse negar quem era e para ter certeza de que ela sabia de tudo.


A princípio, ele disse que ela estava louca, que jamais faria isso, que ela não sabia as conseqüências do que estava pedindo. Mas depois de ouvir toda sua história, e refletir sobre como em toda sua vida mortal ela tinha sido infeliz, resolveu ajudá-la e transformá-la.


Naquela noite ela renasceu e, logo que a dor passou pode ver o quanto estava diferente. Linda, sua pele era ainda mais branca, seus cabelos negros, antes desajeitados, agora caíam suavemente sobre seus ombros e deslizavam até sua cintura, seu corpo era perfeito, podia caminhar e manter a postura sem o menor esforço, o que antes era algo muito difícil para ela.


Agora ela não podia mais ter contato com aqueles que tanto a fizeram sofrer, saiu da vida humana e deixou todos para trás. Como ela desapareceu, todos ficaram com a culpa do que teria acontecido, achando que talvez estivesse morta, sem ter idéia de como agora ela estava linda e feliz ao lado de uma “pessoa” que com o tempo aprendeu a amá-la mais do que tudo no mundo e por toda a eternidade.

Patricia Strogenski