quinta-feira, 5 de abril de 2012

Perdas

Alessa estava chorando, ainda o amava muito, mas não suportava mais a dor de amar alguém que  não sentia o mesmo por ela e só a fazia sofrer. Sem saber o que fazer tentou falar  com  algum  amigo, alguma  pessoa  que talvez pudesse fazê-la sentir-se melhor, mas ninguém estava disponível. Ela estava só e com muita dor.

Toda a esperança que ela vinha alimentando foi esquecida, não se sentia mais feliz como há poucas horas, agora só existia a dor e um enorme abismo em sua frente. O que devia fazer? Fez-se essa mesma pergunta várias e várias vezes, mas não conseguia responder, não podia pensar, não queria ver que agora era pra sempre, não importava o que ele falasse ou fizesse, não suportaria passar por tudo de novo.

A única coisa que ela queria nesse momento era que a dor passasse, que tudo ficasse bem de novo, mas sabia que depois disso nunca mais seria a mesma pessoa, em poucos minutos passou de uma mulher que amava, que tinha sentimentos, para uma pessoa que não queria mais essa vida. Tentou parar de pensar nele e esquecer, mas o único sentimento que conseguia ter naquela hora era ódio, dele, de si mesma e principalmente da pessoa que o tirou dela.

Ela só queria que eles morressem naquele minuto, para que nunca mais ouvisse falar daquela mulher e para ser obrigada a esquecê-lo, pois sabia que não tinha forças para ficar longe dele, por mais que isso a machucasse. Mesmo assim estava decidida que não o queria mais, mas queria que ele sofresse, sofresse muito. Parou de chorar, escreveu um email para ele e resolveu sair desse mundo.

Ela parou de sofrer. Mas ele teve que viver com a culpa e a dúvida de que talvez se ele tivesse atendido o telefone naquele dia ela ainda estaria aqui. Foi só quando perdeu que ele deu o valor que ela tinha.

Patricia Strogenski

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