quinta-feira, 5 de abril de 2012

Solidão


Ela acordou... Na verdade ela não dormiu, já não dormia há muitas noites, não conseguia esquecer seu cheiro, algo que ela não teria mais. Levantou-se. Na cozinha preparou uma caneca de café e sentou-se para beber. Também não pôde, o gosto do café só a fazia lembrar-se ainda mais do gosto dele. Ela sabia que nunca mais o teria.

Saiu no meio da noite, em busca de um pouco de ar, pois não estava conseguindo respirar dentro de casa. Caminhando pela areia, ao som do mar e somente com a lua como companhia, ela chorou. Sentou-se próxima da água e tentou lembrar como era a felicidade, mas a ferida em seu peito não permitia que ela tivesse boas lembranças.

Deitou-se ali, na praia, na esperança que a dor fosse embora. Então lembrou daquilo que sempre lhe foi dito: “O tempo cura tudo”. Mas quanto tempo ainda teria que conviver com essa dor, com esse vazio? E novamente ela chorou.

Amanheceu e ela ainda estava ali. Por dias permaneceu ali, sem dormir, sem comer, sem pensar, apenas esperando por uma resposta que ela sabia que não teria. Enquanto a dor aumentava em seu peito, lembrava-se de tudo que tinha acontecido e não entendia, não podia entender o que tinha feito de errado.

Então percebeu que o tempo jamais a iria curar, que a dor nunca iria passar. Juntou o pouco de forças que ainda lhe restava e conseguiu levantar-se, então naquela noite, junto ao mar, sua dor passou e por alguns segundos ela lembrou-se de como era a felicidade. 

Patricia Strogenski

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