Ela acordou... Na verdade ela não dormiu,
já não dormia há muitas noites, não conseguia esquecer seu cheiro, algo que ela
não teria mais. Levantou-se. Na cozinha preparou uma caneca de café e sentou-se
para beber. Também não pôde, o gosto do café só a fazia lembrar-se ainda mais
do gosto dele. Ela sabia que nunca mais o teria.
Saiu no meio da noite, em busca de um
pouco de ar, pois não estava conseguindo respirar dentro de casa. Caminhando
pela areia, ao som do mar e somente com a lua como companhia, ela chorou.
Sentou-se próxima da água e tentou lembrar como era a felicidade, mas a ferida
em seu peito não permitia que ela tivesse boas lembranças.
Deitou-se ali, na praia, na esperança que
a dor fosse embora. Então lembrou daquilo que sempre lhe foi dito: “O tempo
cura tudo”. Mas quanto tempo ainda teria que conviver com essa dor, com esse
vazio? E novamente ela chorou.
Amanheceu e ela ainda estava ali. Por dias
permaneceu ali, sem dormir, sem comer, sem pensar, apenas esperando por uma
resposta que ela sabia que não teria. Enquanto a dor aumentava em seu peito,
lembrava-se de tudo que tinha acontecido e não entendia, não podia entender o
que tinha feito de errado.
Então percebeu que o tempo jamais a iria
curar, que a dor nunca iria passar. Juntou o pouco de forças que ainda lhe
restava e conseguiu levantar-se, então naquela noite, junto ao mar, sua dor
passou e por alguns segundos ela lembrou-se de como era a felicidade.
Patricia Strogenski
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