quinta-feira, 5 de abril de 2012

Doce Vingança


Durante 10 anos eles viveram em uma cidadezinha do interior. Para não levantar suspeitas sobre quem eles realmente eram, Andy e Alessa tentavam manter uma vida normal, tinham empregos e faziam faculdade, não que eles precisassem, mas gostavam de viver no meio dos humanos.

Andy foi transformado há aproximadamente 100 anos. Sua família era muito rica na época e ele sempre soube administrar muito bem seu dinheiro. Já Alessa não tinha família, e nunca foi rica, tinha que trabalhar para se sustentar. Agora, trabalhava porque não gostava de ficar em casa. Ela era recepcionista em uma empresa local, o serviço era fácil, mas a distraía. Andy abriu uma loja de carros, o que fazia em todas as cidades que passava.


Como já estava na hora de se mudarem, ela pediu para que voltassem à cidade onde morava antes. Ele não achou boa idéia. Mas como sempre ela o convenceu, dizendo que não queria vingança, estava apenas com saudades do lugar onde sempre morou, mas ele sabia que ela estava mentindo.


Ao chegarem na cidade ela não quis comprar uma casa, arranjar um emprego ou entrar para alguma faculdade. Ele sabia quais eram seus planos, mas não podia censurá-la por isso, afinal ela sofreu muito nas mãos daquelas pessoas.

Numa noite, eles foram a um bar próximo de onde ela morava antes. Foi quando ela os viu: o homem e a mulher que fizeram tanto mal a ela ali, ainda juntos. Ela se conteve e desfilou na frente deles ao lado de seu atual esposo. Os dois juntos formavam uma visão fantástica, uma beleza indescritível. A princípio, ela não foi reconhecida, mas foi até a mesa onde eles estavam e os cumprimentou. Foi quando ele a reconheceu.

Nenhum dos dois conseguiu entender como ela estava tão linda depois de todos esses anos, já que agora ela estaria com 35 anos. Desde que foi transformada ela manteve seus 25 anos e os manterá para sempre. Hipnotizado com sua beleza, não pensou antes de aceitar dar um passeio com ela, enquanto Andy distraía a mulher contando suas viagens pelo mundo.


Ela o levou para dar uma volta em uma rua totalmente deserta, e contou tudo pra ele. O que ela sentiu quando soube da outra mulher, o que decidiu fazer e quem ela era agora. Ele não acreditou, então ela teve que mostrar. Ela o mordeu, mas não para matar, queria que ele sofresse.


Foi quando Andy juntou-se a ela. Disse para a mulher esperar que iria procurá-los, mas ele sabia o que Alessa estava fazendo e não queria perder a festa. Eles o cercaram, não o deixavam fugir, e o mordiam cada vez que tentava se levantar. Caído eles o viam sangrar e se divertiam com isso. O riso de Alessa ecoava como uma bela canção perdida na noite. Brincaram por horas.


Quando viram que ele não tinha muito tempo de vida, ela sentou-se ao seu lado e tranqüilamente explicou porque não suportava viver no mesmo mundo que ele, e que ele iria morrer dentro de alguns minutos, sentindo muita, muita dor. Foi nesse momento que ela mordeu seu próprio pulso e deu algumas gotas de seu sangue para ele beber.


Se Andy fizesse isso, ele seria transformado, mas Alessa ainda era jovem e não podia fazer. Ela lembrou-se de quando Andy falou sobre como se transformava uma pessoa, e disse que ela ainda não tinha esse poder. Era algo adquirido com o tempo e que sua vítima provavelmente morreria com dores alucinantes. Foi exatamente o que aconteceu. Após gritar de dor e sangrar por 20 minutos, ele morreu. Eles jogaram seu corpo no mar e nunca foi achado. Também contaram para a mulher que eram vampiros e quando ela contou isso ninguém a levou a sério, afinal, quem acredita em vampiros?


Alessa e Andy partiram logo após o acontecido e nunca mais voltaram àquela cidade. Moraram em muitos lugares ao redor do mundo e nunca foram descobertos. Alessa até concordou em deixar Andy caçar humanos, depois de tudo o que ele fez por ela, ela achou justo não obrigá-lo mais a matar animais, com o tempo ela começou a gostar disso e saía para caçar com ele. Mas o que Andy lembrará para sempre é do sorriso, da satisfação e da alegria de Alessa naquela noite. 


Patricia Strogenski

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